Já parou para pensar se a intenção que você tem é viável? Não estamos nos referindo àquela viabilidade romantizada em termos de Programação Neurolinguística (PNL) ou Psicologia Positiva, como "quem quer, consegue". A questão é se o mercado, os consumidores ou a empresa na qual você pretende implementar a solução que deseja desenvolver apoiam a inovação proposta. Será que haverá adesão suficiente para superar as barreiras iniciais de hábito e inércia? Ou, ainda, se o produto ou solução será sustentável ao longo do tempo.
Longe de criticar qualquer filosofia, psicologia ou PNL, investir em racionalidade e planejamento antes de destinar uma parcela significativa de sua renda ou capital para desenvolver um produto pode ser extremamente saudável. Mesmo que você descubra que o plano não é viável, perder uma pequena fração do que investiria caso apostasse tudo no projeto, baseando-se apenas em intuição, significa que o planejamento alcançou sucesso ao preservar seu capital principal.
Na arte da estratégia, dois modelos mentais se fazem necessários: o artístico e o científico, ou seja, intuição e razão. Atualmente, é comum observar o uso isolado da intuição, crença ou desejo simples. Muitas vezes, isso nada mais é do que um mero palpite disfarçado de intuição, atuando sem o suporte da razão ou da racionalidade, o que é conhecido no mercado financeiro como "racional da operação". Isso leva a uma taxa de mortalidade alarmante tanto para softwares quanto para empresas, bem como a altos níveis de inadimplência e perdas financeiras no Brasil. No setor comercial, por exemplo, essa taxa pode chegar a 30,2% nos primeiros cinco anos de existência. Acredito, embora não disponha de dados concretos para citar, a não ser pela experiência de mais de 30 anos no mercado, que a taxa de mortalidade de produtos e softwares lançados seja ainda maior.
Basicamente, estamos discutindo duas questões que podem afetar a longevidade de um negócio ou produto. A primeira é o comportamento humano, que tende a manter as coisas como estão, pela lei do menor esforço e economia de energia, tornando a mudança de hábito dispendiosa em termos de investimentos em marketing ou treinamento. A outra questão é a operacional e a evolução necessárias para manter um produto funcionando e relevante ao longo do tempo.
Não é nosso objetivo aprofundar o tema em macroeconomia, mas para contextualizar, qualquer que seja o produto - seja um carro, uma bicicleta, um software ou uma roupa - até mesmo clipes de papel se danificam ou tornam-se obsoletos com o tempo, caso não recebam manutenção adequada ou atualizações. Embora um produto digital não sofra com o enferrujamento causado pelo oxigênio ou outros elementos naturais, o tempo e as pessoas têm pleno poder para torná-lo obsoleto.
Sim, o tempo tem o poder de selecionar os sobreviventes e aqueles que desaparecem, e isso requer investimentos. Embora o termo "investimento" geralmente nos faça pensar automaticamente em recursos financeiros, ampliaremos esse significado para incluir também o investimento de tempo, esforço pessoal, energia, rede de contatos, inteligência, criatividade, estrutura e, é claro, recursos financeiros.
Geralmente, produtos digitais atendem a diferentes propósitos, tais como:
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Redução de custos operacionais;
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Melhoria de processos;
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Geração de resultados financeiros.
Seja para lucrar, reduzir custos ou oferecer soluções ao mercado com seu produto digital, o consumo necessário para manter o produto funcionando e evoluindo frequentemente não faz parte dos cálculos dos entusiastas que desejam desenvolver um produto ou aplicativo. Portanto, enumeraremos as principais causas que identificamos ao longo do tempo, a fim de refletir e prevenir possíveis problemas.
Principais Causas:
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Falta de conhecimento suficiente sobre negócios e gestão ao tentar lançar um produto digital no mercado;
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Não considerar custos com serviços de nuvem, APIs ou empresas terceirizadas;
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Não incluir profissionais para compreender os clientes e adaptar suas necessidades em soluções para o produto;
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Acreditar que um MVP (Produto Mínimo Viável) é a solução definitiva para o mercado, e que continuará a ser eficaz quando estiver plenamente funcional, de acordo com a quantidade de usuários logados;
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Supor que o custo total de um produto digital será apenas o valor de seu desenvolvimento;
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Não levar em consideração que, embora possamos achar que nossa ideia é incrível, ela pode ser relevante apenas para nós e não estar pronta para o mercado;
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Não saber em quanto tempo o investimento realizado no produto se transformará em lucro ou redução de custos. Uma dica importante: investidores inteligentes, exceto os muito grandes na área de infraestrutura, evitam investir em negócios com tempo de retorno (payback) superior a 3 anos;
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Falta de compreensão sobre a margem de lucro esperada e as expectativas de receita planejada. Novamente, investidores inteligentes geralmente evitam negócios com margem de lucro líquido inferior a aproximadamente 35%, exceto grandes investidores na área de infraestrutura;
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Falha em conhecer o público-alvo do produto e verificar se há uma alta probabilidade de adesão através de pesquisa prévia;
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Não compreender que, após o lançamento do produto, são necessários recursos financeiros para mantê-lo operacional;
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Não perceber que, após o lançamento do produto, são necessários recursos financeiros para desenvolvimento e atualizações contínuas;
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Falta de um planejamento financeiro mensal, iniciando na fase de concepção do projeto e indo até pelo menos 36 meses após o lançamento, incluindo todas as possíveis receitas e despesas financeiras, bem como objetivos específicos;
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Falha em monitorar regularmente as diferenças entre o planejado e o realizado (seja financeiro ou operacional), por meio de indicadores ou pesquisas, para detectar problemas o mais cedo possível e realizar as correções necessárias;
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Não estabelecer um "Stop Loss" ou uma "perda máxima" no planejamento para decidir se o projeto deve ser encerrado ou se o investimento deve continuar. Isso pode parecer pessimista e fatalista, mas perder conscientemente o planejado, dentro de suas possibilidades, sempre é melhor do que perder muito, acredite.
Principais Consequências:
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Frustração em relação à longevidade do produto;
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Altas perdas financeiras ou até mesmo falência pessoal ou empresarial;
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Descoberta de que foi um erro investir somente após atingir o "ponto sem retorno", exigindo recursos adicionais sem ter meios suficientes;
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Sensação de estar navegando no escuro, sem conhecer os pontos fracos para correções ao longo do caminho, como Receitas, Custos Variáveis, Resultados, Reinvestimentos, etc.;
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Falha em entender em que momento o projeto exigirá determinados recursos, levando a investimentos inesperados ou chamadas de capital excessivamente onerosas, ou até mesmo inviáveis.
Soluções Possíveis e Boas Práticas:
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Solicitar ao parceiro desenvolvedor responsável pela construção do software um "Discovery" de produto, ou realizar uma sessão de brainstorming detalhada para visualizar conjuntamente todos os recursos necessários e seu cronograma de implementação;
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Caso esteja criando um MVP ou conduzindo um teste de mercado, é recomendável ter diversas fontes de recursos para captação, como bancos ou parceiros, para que, em caso de alta adesão ao seu produto, seja possível iniciar a construção do produto final robusto o mais rapidamente possível, com a capacidade adequada;
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Pode ser necessário contratar profissionais em momentos específicos do projeto, como Product Owners ou Gerentes de Projeto, que possam ser necessários, mas que talvez você não saiba ainda;
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Com base em todas as informações disponíveis, procure criar um Demonstrativo de Resultados do Produto que contenha, no mínimo, as seguintes informações:
>Projeção de vendas em quantidade e valor unitário
>Custos variáveis incluindo:
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Impostos e tributos;
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Meios de recebimento (cartões, etc.);
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Mão de obra direta;
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Comissões sobre vendas.
> Custos fixos incluindo:
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Profissionais de apoio;
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Despesas fixas como água, luz e outros, caso se apliquem;
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Contadores, consultores ou outros terceirizados.
>Resultado:
- A diferença entre o total de receitas e todos os custos.
Inicialmente, todos esses registros podem ser feitos em regime de caixa, onde se foca exclusivamente nas entradas e saídas financeiras. No entanto, ao longo do tempo, é recomendável migrar para o regime de competência, no qual também se considera a emissão de notas fiscais.
É importante também observar a realização da Análise Vertical Percentual, que mostra quanto uma despesa representa em relação às receitas, e a Análise Horizontal Percentual, que revela quanto a receita ou despesa variou ao longo do tempo. Arrisco-me a dizer que, com essas três ferramentas (Demonstrativo de Resultados, Análise Vertical e Análise Horizontal), é totalmente possível tomar decisões bem fundamentadas em qualquer empreendimento, seja ele pessoal ou corporativo, a qualquer momento.
Para concluir, uma regra básica de excelentes estrategistas, desde Confúcio até os modelos atuais, conecta os conceitos de planejamento e execução com seus possíveis resultados:
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Ótimo Plano + Execução ótima = Resultado ótimo ✓
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Ótimo Plano + Execução ruim = Resultado possivelmente ruim ✓X
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Plano ruim + Execução ruim = Resultado provavelmente ruim X
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Plano ruim + Execução ótima = Resultado certamente ruim X
Na Plathanus, estamos prontos para transformar suas ideias em realidade. Contate-nos hoje para fazer sua visão se tornar realidade com estratégia e confiança.
FAQ: Estratégia, Viabilidade e Desenvolvimento de Produto Digital
- Como garantir que minha ideia para um produto digital seja viável?
Para garantir a viabilidade de uma ideia de produto digital, é essencial realizar uma análise cuidadosa do mercado, dos consumidores e da sustentabilidade a longo prazo. Isso envolve investigar se há adesão suficiente para superar as barreiras iniciais e se o produto será sustentável ao longo do tempo.
- Qual a importância de combinar intuição e razão no desenvolvimento de produtos digitais?
A combinação de intuição e razão é fundamental para o sucesso de um produto digital. Enquanto a intuição pode inspirar a inovação, a razão é necessária para avaliar a viabilidade e tomar decisões fundamentadas. O uso isolado da intuição pode levar a resultados desfavoráveis e alta taxa de mortalidade do produto.
- Quais são as principais causas que podem afetar a longevidade de um produto digital?
As principais causas incluem falta de conhecimento sobre negócios e gestão, não considerar custos adicionais além do desenvolvimento, suposições incorretas sobre o mercado e o público-alvo, e não planejar recursos financeiros para manutenção e atualizações contínuas do produto.
- Como evitar consequências negativas no desenvolvimento de um produto digital?
Para evitar consequências negativas, é importante realizar uma análise abrangente de todos os aspectos do projeto, incluindo aspectos financeiros, de mercado e de execução. Isso envolve contratar profissionais qualificados, elaborar planos detalhados e estar preparado para ajustes ao longo do processo.
- Como a Plathanus pode ajudar a transformar ideias em produtos digitais de sucesso?
A Plathanus oferece serviços especializados para transformar ideias em produtos digitais de sucesso. Com uma abordagem estratégica e foco na viabilidade e sustentabilidade a longo prazo, ajudamos nossos clientes a alcançar seus objetivos de negócios e criar produtos que se destacam no mercado. Entre em contato conosco hoje para saber mais sobre como podemos ajudá-lo.



